quarta-feira, 3 de abril de 2013

Uma sociedade plenamente atenta

Achei muito legal esta entrevista, que a Jeanne Pilli publicou no seu blog (aliás um blog muito legal, cheio de coisas boas). O original está em http://equilibrando.me/2013/04/03/por-uma-sociedade-plenamente-atenta/
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A Atenção Plena (Mindfulness) vai além de simplesmente cultivar nossa atenção?
O que a Atenção Plena promete de mais importante é muito mais do que isso, muito mais profundo. Essa prática nos ajuda a entender que a nossa visão convencional sobre nós mesmos, e até mesmo sobre o que queremos dizer com “eu”, é incompleta em alguns aspectos muito importantes. A Atenção Plena nos ajuda a reconhecermos como e porque tomamos erroneamente a realidade das coisas por uma história que criamos, e então torna possível traçar um caminho para uma maior sanidade, um maior bem-estar e propósito.
Por que você acha que a abordagem científica é importante para disseminar a prática da Atenção Plena?
Eu não estou de fato interessado em “espalhar” a prática da Atenção Plena, tanto quanto estou interessado em inflamar a paixão das pessoas por aquilo que é mais profundo e melhor dentro de todos nós, mas que normalmente está escondido e raramente acessível. A ciência é um modo particular de entender o mundo, que permite que algumas pessoas tenham contato com coisas que de outra forma evitariam e, por isso, pode ser usado como um meio hábil para abrir a mente das pessoas. Ao aproximarmos a ciência da meditação, estamos começando a encontrar novos caminhos, em uma linguagem que as pessoas possam entender, para demonstrar os benefícios de treinar e se familiarizar com o funcionamento da própria mente, de uma forma que gere uma maior compreensão e clareza.
A ciência também está demonstrando benefícios importantes e interessantes dessas práticas e treinamentos mente-corpo para a saúde, e agora está começando a elucidar os vários caminhos pelos quais a Atenção Plena exerce seus efeitos sobre o cérebro (regulação emocional, controle cognitivo, atenção, ativação de mapas somáticos específicos, espessamento cortical em regiões específicas) e sobre o corpo (redução de sintomas, maior bem-estar físico, melhora da imunidade, regulação epigenética de atividade em um grande número de genes). Também está se demonstrando que a meditação pode trazer um senso de significado e propósito para a vida, com base na compreensão da não-separação entre si mesmo e o outro. Dada a condição em que nos encontramos hoje em dia no planeta, entender nossa interconexão não é um luxo espiritual, é um imperativo social.
Três ou quatro séculos atrás, não muito tempo, as pessoas praticavam a meditação sob condições razoavelmente isoladas, principalmente em monastérios. Agora a meditação está sendo praticada e estudada em laboratórios, hospitais e clínicas, e até mesmo em escolas primárias e secundárias. As pessoas que ensinam e pesquisam estão, em muitos casos, envolvidos com as práticas de Atenção Plena há 10, 20, 30 ou mais. Eles não estão simplesmente aderindo a algum movimento novo. O trabalho dessas pessoas resultou em muitos profissionais sendo atraídos para a prática de Atenção Plena, pela primeira vez. Isso em si é um fenômeno maravilhoso, desde que se entenda que a Atenção Plena não é apenas um “conceito” bom, mas uma maneira de ser ortogonal, que requer prática e cultivo constantes.
Quais são as novas fronteiras da Atenção Plena nos últimos anos?
O trabalho com Atenção Plena está se espalhando em áreas além da medicina e da saúde e também para além da psicologia e da neurociência. Está se estendendo a programas sobre parto e paternidade, educação, negócios, atletismo e esportes profissionais, direito, justiça criminal e até mesmo política. Por exemplo, Tim Ryan, um deputado democrata de Ohio, tornou-se um grande defensor de um maior apoio para pesquisa e implementação de programas de Atenção Plena, tanto na saúde quanto na educação, com base em suas próprias experiências com a prática contínua. Em muitas áreas diferentes, está se reconhecendo o quanto mente e corpo são e sempre foram axiomáticos. Precisamos aprender a ser muito mais sintonizados com esse diálogo e participar ativamente, se quisermos que funcione efetivamente e otimize a nossa saúde e bem-estar.
A sincronização entre mente e corpo pode trazer mais benefícios do que funcionar de forma eficaz?
A consciência da qual estamos falando quando estamos usando o termo “Atenção Plena” abrange também as motivações de nossas ações, por exemplo, as maneiras pelas quais somos movidos por auto-engrandecimento ou ganância. Na crise financeira de 2008-2009, vimos os efeitos da ganância em grande escala nos bancos e companhias de seguros. Para curar essa doença não será suficiente apenas prestar socorro, pacotes de estímulo, e magicamente criar maior confiança na economia. Precisamos criar um tipo diferente de confiança e um novo tipo de economia, uma que não se baseie em gastos sem sentido, mas em direcionar recursos para o bem maior de cada um, da sociedade e do planeta. A Atenção Plena pode ajudar a abrir as portas para isso, ajudando-nos a ir além das abordagens que se baseiam apenas no pensamento conceitual e que são movidos pela ganância sem limites e legalmente sancionada.
Parece que a noção de que seremos capazes de pensar uma saída para nossos grandes problemas tem perdido o prestígio recentemente.
Esse é um ponto chave. Até mesmo pessoas muito, muito inteligentes – e há um monte delas ao nosso redor – estão começando a reconhecer que o pensamento é apenas uma das muitas formas de inteligência. Se não reconhecermos as múltiplas dimensões da inteligência, estaremos prejudicando nossa capacidade de encontrar soluções criativas e resultados para problemas que não admitem correções estreitas. É como ter uma visão linear na medicina que vê os cuidados de saúde apenas como “consertar pessoas” – um modelo de mecânico de automóveis para o corpo, que não compreende cura e transformação, não entende o que acontece quando você harmoniza corpo e mente. O elemento que está faltando nessa compreensão mecânica é a consciência.
A consciência genuína pode modular o nosso pensamento, e assim nos tornamos menos impulsionados por motivações não examinadas de nos colocarmos em primeiro lugar, de controlarmos as coisas para amenizar o nosso medo, de sempre oferecermos nossas respostas brilhantes. Podemos criar uma enorme quantidade de dano, por exemplo, por não ouvir outras pessoas que podem ter diferentes pontos de vista e idéias. Felizmente, atualmente nós temos uma grande oportunidade para equilibrar o cultivo do pensar com o cultivo da consciência. Qualquer um pode restaurar algum grau de equilíbrio entre o pensamento e a consciência, neste exato momento, que é o único momento que qualquer um de nós tem sempre, de qualquer maneira. Os resultados potenciais de aprender a habitar a consciência e trazer maior equilíbrio ao pensar são extremamente positivos e saudáveis para nós mesmos e para o mundo em geral.
Por outro lado, continuar a dominar o planeta como a nossa espécie tem feito nos últimos seis ou sete mil anos poderá ser muito pouco saudável. A despeito da beleza advinda da civilização, poderemos seguir em um caminho de transtornos colossais que, basicamente, resultam de uma mente humana que não faz as pazes consigo mesma – guerra, genocídio, fome, respostas grosseiramente inadequadas a desastres naturais. Esses transtornos podem destruir tudo o que nos é mais caro.
Anteriormente, você falou sobre a promessa de a Atenção Plena ser muito mais do que simplesmente focar a atenção. Poderia comentar quais são as chaves para obtermos os efeitos mais profundos dessa prática?
Em última análise, o caminho é incerto. Tudo o que podemos fazer é escutar profundamente o chamado de nossos próprios corações e do mundo, e fazer o melhor que pudermos. Eu enfatizo a universalidade do poder da Atenção Plena e da consciência, mas eu não estou falando de uma igreja universal ou um movimento religioso universal. Estou falando de compreender a natureza do que significa ser humano. Eu nem gosto de usar a palavra “espiritual”.
Podemos simplesmente abordar o que significa ser humano – a partir de um ponto de vista evolutivo, de um ponto de vista histórico? O quê está disponível para nós neste breve momento em que o universo surge sob a forma de um corpo humano e de um ser sensível, e vive 70, 80, ou 90 anos (se tanto), e depois volta a nos dissolver em um oceano indiferenciado de potencial? Uma grande parte do tempo nos tornamos tão egoístas, tão preocupados, que não buscamos o tipo de investigação fundamental proposta por Aristóteles quando fez o comentário de que “Uma vida não examinada não vale a pena ser vivida”.
Além de desenvolver um vocabulário universal, não religioso, tentei enfatizar a importância crítica do aspecto não-dual da meditação, enfatizando que não se trata de chegar a qualquer outro lugar. Isto, é claro, imediatamente traz uma grande perplexidade para as pessoas, porque quase tudo o que fazemos parece ser uma tentativa de chegar a um outro lugar. Por que diabos você quer chegar em outro lugar? Se você sente muita dor, ou se você tem algum tipo de doença ou o que seja, você sempre quer voltar para o ponto em que estava, ou ir para algum lugar melhor no futuro. Parece quase anti-americano apenas de se contentar com o que é da forma que é, mas isso é uma compreensão equivocada do potencial de viver o momento presente. Não é uma questão de resolver. É uma questão de reconhecer que, em algum sentido, ele nunca fica melhor do que isso.
O que quer dizer?
De forma bem simples, o futuro não está aqui, mesmo que criemos tantas ilusões quantas quisermos. O passado já terminou. Temos de lidar com as coisas como elas são no momento. Então, é mais eficaz lidar com elas, se não perpetrarmos ilusões sobre a natureza de nossa experiência, e, em seguida, nos iludirmos ou termos ambições que nos levam a criar mais mal do que bem.
Quando nós nos iludimos sobre a verdadeira natureza da nossa experiência, não prejudicamos apenas outras pessoas. Nós também prejudicamos a nós mesmos, porque não fazemos as pazes com alguns elementos que compõem o que somos, nossa conexão básica com os outros e com o nosso meio ambiente. Isso é muito triste e muito insatisfatório. Cura e transformação são possíveis a partir do momento que aceitamos a realidade das coisas como elas são – boas, ruins, ou feias – e depois agimos com base nesse entendimento com a imaginação, a bondade e a intencionalidade. Isto não é fácil ou indolor, de forma alguma, mas é ao mesmo tempo uma forma de realização e um caminho para a sabedoria e para a paz.
Neste sentido, estamos tentando criar uma maneira de falar da Atenção Plena como uma prática, um modo de ser, e também como a culminação da prática que em um determinado momento seja tão familiar que as pessoas irão dizer: “É claro, faz sentido. Faz sentido estar no momento presente, para ser um pouco menos crítico, ou pelo menos para estar ciente do quanto eu sou crítico. Como eu não percebi isso antes? É tão óbvio.”
Em quem podemos nos apoiar para levar esta mensagem a mais pessoas?
Este é um grande desafio, considerando o quanto estamos aprisionados e cegos pelo nosso próprio condicionamento. Simplesmente não há bons professores o suficiente. Além disso, nem todo mundo os ouve na linguagem dos veículos tradicionais de meditação. Então talvez precisemos de muitos professores de meditação altamente dedicados e habilidosos, mergulhados em sua própria prática, para atender a necessidade que está esperando lá fora. Há muito sofrimento no mundo. Quem somos nós para não respondermos a isso de alguma forma? É por isso que fazemos muitos esforços para colocar o MBSR (Programa para Redução do Estresse Baseado na Atenção Plena) como formação profissional, para o desenvolvimento de toda uma nova geração de pessoas profundamente embasada nessa expressão universal do Darma e comprometida em trazer isso para o mundo de várias maneiras, como um meio hábil para a cura e transformação em um tempo em que o mundo está clamando por bondade e sabedoria.
O quê é necessário para ensinar a prática da Atenção Plena além de um bom coração?
Se estamos ensinando Atenção Plena em um segmento ou em outro, é realmente necessário que esteja baseado em nossa própria experiência, em primeira pessoa. Precisa ser fundamentada na humildade e no não-saber, uma abertura para a possibilidade, mas também em uma profunda visão de si mesmo e do outro. Uma vez que está disponível para todos, não é realmente um grande negócio ou uma posse privada especial.
Claro, algumas pessoas vão tomar a Atenção Plenas e outras práticas e colocar seu próprio selo sobre elas. Algumas pessoas vão fazer disso uma grande campanha, sem realmente entender sua profundidade, ou tendo uma compreensão apenas parcial. A possibilidade inevitável de que algumas pessoas se aproximem e explorem esses ensinamentos e práticas de forma equivocada é parte do preço do sucesso de trazer a Atenção Plena para uma cultura maior.
Uma das grandes responsabilidades daqueles de nós que estão fazendo este trabalho é nutrir e orientar os mais jovens e aqueles que estão chegando. Podemos lembrá-los, ou esclarecer a eles, que tornar-se um professor de Atenção Plena não é apenas uma moda passageira ou meramente um passo na carreira. O valor da Atenção Plena é profundo e único. Demanda que tenhamos um olhar profundo sobre a natureza da experiência em si, e sobre a natureza das nossas próprias mentes e corações. Este é um tipo de investigação científica, uma vez que a mente é realmente um mistério enorme do ponto de vista científico.
Todo esse trabalho depende de apreciar como a consciência pode equilibrar o pensamento. Não há nada de errado com o pensamento. Muito do que é belo brota do pensamento e das nossas emoções. Mas, se o nosso pensamento não for equilibrado com a consciência, podemos acabar deludidos, perpetuamente perdidos em pensamentos e fora de nossas mentes, justamente quando mais precisamos delas.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Calor e seca em agosto

Parece que o clima do RS endoidou de vez.
Em agosto geralmente trabalho na horta cheio de casacos, esperando um dia de sol para aliviar o frio.
Hoje tive uma experiência completamente diferente, suor e vontade de ficar de bermudas e sem camisa. Ontem tivemos uma baixíssima umidade do ar em Porto Alegre. O sol está bem forte e o solo seco dificulta o trabalho. Não dá para descuidar da irrigação, as plantas parecem que murcham ainda mais rápido do que no verão.
Ontem ouvi o sabiá cantando e este cantar é o melhor anuncio desta primavera antecipada.
Olho a previsão, dizem que no final de semana chove e esfria um pouco. Tomara que sim, afinal é agosto. Ou será que o frio voltará em dezembro trazendo neve para o Natal?

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Como cultivar a mente atenta?

Sempre que caminho até a horta procuro seguir a respiração e prestar atenção aos meus passos.
Inspiro, expiro e sinto o contato dos pés com o solo.
Eu procuro fazer o trabalho totalmente presente, com calma, sem desconforto.
Porém, não é tarefa fácil.
Logo que meus dedos começam a retirar as ervas que cresceram demais e estão abafando as hortaliças, minha mente começa a esvoaçar. E, geralmente, não são coisas bonitas que surgem na minha cabeça.
Quando percebo que estou perdido em pensamentos, levanto e paro.
Volto a colocar a atenção na respiração e sorrio para a barulheira mental.
Olho para o verde, deixo que as plantas tragam a calma de volta.
Volto ao trabalho. O automatismo quer me levar a correr e fazer tudo o mais rápido possível. Percebo isso e diminuo o ritmo.
E assim continuo. Me perdendo e me reencontrando entre os canteiros.


quinta-feira, 17 de maio de 2012

Capuchinhas no outono.

As capuchinhas aparecem com o outono.
Muitas plantas estão germinando espontaneamente.
Há papoulas, mostarda, chicória, radiche e outras.
Num pedaço de canteiro que não plantei recebi muitos presentes. São os jardins que Deus planta na mais perfeita ordem. É um canteiro valioso para ensinar o que é a convivência entre as plantas. São consórcios biodiversos que se desenrolam ao longo do tempo.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Seis passos para viver neste momento

Um dos ensinamentos mais simples de entender e um dos mais desafiadores: viver no momento presente. A revista americana Psychology Today criou uma reportagem especial intitulada “A Arte do Agora: Seis Passos para Viver Neste Momento”


(“The Art of Now: Six Steps to Living in the Moment“) listando medidas essenciais para se livrar das inúmeras diversões e ocupações do mundo tecnológico e midiático contemporâneo e conseguir viver, enfim, aqui e agora. “Vivemos na era da distração. Ainda assim um dos paradoxos mais agudos da vida é que seu futuro mais brilhante está na sua habilidade de prestar atenção no presente“.



Os passos foram elaborados pelo jornalista canadense Jay Dixit, aparentemente embasado nos escritos sobre “mindfulness” (“atenção”) do Budismo, Taoísmo, Yoga e muitas tradições nativas americanas. “É o motivo pelo qual Thoreau foi para o Lagi Walden; é sobre o que Emerson e Whitman escreveram em seus ensaios e poemas“, diz Dixit.



“Todos concordam que é importante viver no momento, o problema é como”, diz Ellen Langer, psicóloga em Harvard, autora do livro “Mindfulness” e uma das entrevistadas da matéria.



Abaixo, um resumo dos seis passos, traduzidas para o português. A matéria completa em inglês está aqui.



1. Para melhorar seu desempenho, pare de pensar sobre ele (não-consciência-de-si-mesmo).



“Pensar demais no que você está fazendo faz com que você faça pior o que você está fazendo”, diz a matéria, citando o exemplo de como ficamos nervosos ao entrar numa pista de dança, preocupados demais com como estamos dançando, e prestando atenção de menos na própria música.



Pra conseguir dançar com a música, você é obrigado a entregar sua atenção para o ritmo dela. Ao fazer isso, seu foco muda automaticamente de você e de seu desempenho para a música.



2. Parar evitar ficar se preocupando com o futuro, foque no presente (degustação).



A matéria lembra o livro “Comer, Rezar, Amar”, de Elizabeth Gilbert, que cita uma amiga que, sempre que vê um lugar bonito, exclama alto: “É tão bonito aqui! Quero voltar aqui um dia!”. Gilbert diz que “isso exige todas as minhas energias persuasivas para convencê-la que ela já está aqui”.



Diz a matéria: “Frequentemente nós ficamos tão emaranhados em pensamentos do futuro e do passado que esquecemos de experimentar, e ainda menos de curtir, o que está acontecendo agora. Nós tomamos um gole de café e pensamos, ‘Não está tão bom quanto o que tomei semana passada’. Comemos um biscoito e pensamos, ‘Espero que o biscoito não acabe’.



3. Se você quer ter um futuro no seu relacionamento, habite o presente (respire).



Whitney Heppner e Michael Kernis, da Universidade de Georgia (EUA), dizem que “a atenção neutraliza os impulsos agressivos nas pessoas”, informa a matéria. Reduz o envolvimento do ego, aumenta o auto-controle e “faz você perceber o que os budistas chamam de ‘reconhecer a faísca antes da chama’”.



4. Para aproveitar ao máximo o tempo, perca a noção dele (fluxo).



Esse é um tema meio esotérico, mas que os psicólogos estão tentando explorar cada vez mais: o que chamam de fluxo (flow). “O fluxo acontece quando você está tão compenetrado numa tarefa que perde noção de tudo que está em volta de você”, diz a matéria. “O fluxo incorpora um aparente paradoxo: como você poderia estar vivendo no momento se você não está nem consciente dele?”



A matéria não responde a esse paradoxo, mas é uma questão interessante. Talvez exista uma mistura na interpretação dessa pergunta, entre atenção e uma quase-obsessão na ação de uma tarefa. Tema para outro post – ou talvez para algum discurso já pronunciado que nos ajude a entender melhor (se alguém tiver uma fonte e puder compartilhar, o Dharmalog agradece).



5. Se algo está lhe incomodando, mova-se em direção a ele e não para longe dele (aceitação).



Esse é um dos mais interessantes, pois ajuda a desbloquear padrões mentais e emocionais que certamente iriam voltar para lhe incomodar no futuro. A matéria aconselha “estar aberto para o modo como as coisas são em cada momento sem tentar manipular oumudar a experiência – sem julgar, se apegar ou evitar”.



6. Saiba que você não sabe (engajamento).



Essa lembra o conhecido adágio do filósofo grego Sócrates: “Tudo que sei é que nada sei”. Ellen Langer, aquela psicóloga entrevista pela matéria, diz que “a melhor maneira de evitar blackouts é desenvolver o jábito de estar sempre notando coisas novas em qualquer situação que você esteja”.



E completa: “Nós nos tornamos indiferentes porque uma vez que achamos que sabemos algo, paramos de prestar atenção a isso”.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

entrevista com Pierre Rabhi

Conheci ontem e virei fã. Fico feliz que encontrar ressonância em minha percepção do mundo. Agradeço a Pierre Rabhi, por aglutinar agricultura, beleza e simplicidade. E, sobretudo, obrigado ao Insituto Humanitas Unisinos por trazer estas pérolas e compartilha-las.

Pensador da ecologia concreta e agricultor, Pierre Rabhi promove há décadas um ideal de vida sóbrio e uma mudança global da sociedade.




A reportagem é de Teicir Ben Naser, publicada na revista Témoignage Chrétien, 05-01-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.



Eis a entrevista.



É possível realmente fazer a revolução cultivando o próprio jardim, como parece que você propõe?



Cultivar o próprio jardim é um ato político e um ato de resistência. Vivemos em um sistema totalitário que não diz seu nome: as multinacionais impõem as suas regras a toda a sociedade. Esse sistema nega aos cidadãos a possibilidade de serem autônomos. É hora de passar de cidadãos passivos para cidadãos ativos. A ação, ainda que pequena, pode contribuir para uma insurreição global, uma insurreição das consciências. Uma vez que haja essa conscientização, tudo é possível.



Hoje, podemos ler e ouvir por toda a parte que o mundo vai mal. Mas dizer isso não basta. É preciso propôr uma alternativa para destravar o movimento. É preciso associar o dizer e o agir: o que eu digo eu faço. Se hoje tenho essa credibilidade junto a um certo público, é justamente porque eu não permaneci no espírito doutrinário das coisas e tentei que se pudesse viver de forma diferente: alimentar-se de forma diferente, construir de forma diferente, tratar-se de forma diferente, cultivar de forma diferente.



Como começou a sua trajetória "insurrecional"?



Fui com outras pessoas para a região de Ardèche no início dos anos 1960. Comprei uma fazenda, me formei no ofício de agricultor e em agronomia. Vivemos 13 anos sem eletricidade, com pouquíssima água e uma estrada mal e mal trafegável. A escolha do lugar não respondia apenas a critérios agronômicos. Mas quando descobrimos a beleza daquele lugar, dissemos: "É aqui que queremos viver".



O essencial para nós era que este lugar nos alimentasse interiormente. Foi este lugar magnífico que nos deu tanta força, tanta coragem e energia. Assim, a nossa escolha não foi racional, mas derivava de uma busca. Estávamos em uma lógica de simplicidade deliberada. Além disso, nos contentamos com trinta cabras, enquanto todo mundo nos dizia que podíamos dobrar o nosso rebanho. Escolhemos a simplicidade como arte de viver.



Às vezes, você diz ter "uma contenda com a modernidade". O que pretende dizer com isso?



O progresso que nos foi vendido com a modernidade é uma ilusão. Não liberta, aprisiona. Desde a escola materna até a universidade, as pessoas ficam trancadas, todos trabalham em grandes ou pequenas "caixas" e se deslocam fechados em "caixas" (os carros). Depois, colocam-se os idosos em caixas para velhos à espera de da última caixa. O percurso de vida passa de um aprisionamento a outro com o mesmo sininho: "liberdade", "liberdade".



Mas onde está essa famosa liberdade? Para mim, eu a encontrei na simplicidade e na sobriedade, e não no "sempre mais" que está na base da ideologia moderna do progresso e que nos destrói, assim como destrói o planeta. Na minha campanha de 2002, fui o primeiro a pôr em discussão a ideia de crescimento econômico. A verdadeira provocação hoje é falar de decrescimento, evocar a possibilidade de rever as nossas atividades de modo a responder às nossas necessidades legítimas e reduzir a margem do supérfluo.



É preciso pôr em primeiro plano a tradição, contra o progresso?



É uma pena que tradições magníficas tenha se perdido. Isso realmente me desagrada. Eu trabalhei em Cévennes, por exemplo, onde conheci o que restava da verdadeira vida rural. Eu vivia com camponeses simples e tranquilos. O seu ritmo era cadenciado pelas estações. Estavam em osmose com a natureza. Além disso, você já percebeu? O agricultor não corre quase nunca e, quando corre, é desajeitado.



Por quê? Porque, em alguns aspectos, ele é regulado pela cadência da própria vida. Ele sabe muito bem que não se pode acelerar a frutificação de uma árvore. Você pode até se agitar, mas a macieira não lhe dará as suas maçãs antes de quando decidiu dá-las. Essa cadência eterna data das origens da humanidade. Com o mundo moderno, chegou a pressa, a aceleração, a velocidade e aquele ditado surpreendente que nos diz que "tempo é dinheiro".



Mas é realmente possível viver não de acordo com o ideal de modernidade?



Eu não defendo uma recusa radical da modernidade. O que eu reivindico é o direito ao inventário. E o mínimo que podemos dizer é que ele faz pensar. Hoje, as pessoas estão em superatividades, olham continuamente para as horas, tudo deve acontecer às pressas. De que servem as máquinas que inventamos? Certamente, não para aliviar as nossas vidas. Eu também possuo um carro e não uso velas para iluminação. Mas refletamos por um momento: todo o sistema moderno ruiria se não houvesse mais eletricidade ou combustível. O pequeno agricultor de Burkina Faso, ao contrário, continuará trabalhando a sua terra tranquilamente.



Nós nos tornamos dependentes das máquinas que criamos. Estamos continuamente na frente das nossas telas, com aquela necessidade permanente de estarmos "conectados". E essa dependência começa cada vez mais cedo. Até mesmo antes de tomar consciência da vida e de si mesma, a criança já está no virtual. Queima etapas fundamentais na sua relação com a matéria, com o tangível. Essa desvitalização precoce terá consequências. Estamos confundindo comunicação e relação. Que paradoxo: os instrumentos de comunicação fazem com que cada um fique em sua própria casa. Se existem extraterrestres, estou certo de que dizem entre si: "São superdotados, mas estúpidos".



Você foi muçulmano e depois cristão. Como a religião inspirou o seu pensamento?



Provavelmente, participou de alguma forma. A personalidade de Jesus, daquele homem nascido na Palestina e que prega o amor como a maior força que pode existir, me marcou muito. Mas adquiri um grande respeito pelas minhas duas religiões. Quando me interessei pela natureza e me tornei ecologista, entrei no mundo do grande mistério da vida. Às vezes, eu digo às pessoas: peguem uma semente de tomate, coloque-a na palma da sua mão e medite. Diga-se que há toneladas de tomates nessa semente. Há algo de incrível.



Neste momento, estou escrevendo o prefácio de um livro sobre agroecologia, onde parto da teoria de Lavoisier que diz que "nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". Isso me causa problemas. Se nada se cria, então não há criador. Mas quando observo com amor e atenção a natureza e a vida, e medito sobre elas, não chego a concluir de que não há inteligência por trás de tudo isso. Inteligência e benevolência. Ora, eu não tenho respostas para essas perguntas. O que define Deus é o silêncio. Você pode sentir a sua presença profundamente. Com relação ao resto...



O que a atual crise econômica lhe inspira?



É preciso pôr-se de acordo sobre o que significa a palavra "economia". Hoje, parece que a economia consiste em buscar a melhor forma de fazer o máximo de lucro. E, partindo dessa definição, o planeta se torna uma jazida de recursos que devem ser transformadas em dólares. Se hoje há uma crise, é porque o dinheiro se tornou a única unidade de medida comum. Decretou-se que os países ricos em dólares ou em euros são os mais avançados economicamente. Que absurdo! Tirou-se da economia tudo o que não se traduz em dinheiro. Uma mãe de uma família que se ocupa do seu filho e os milhares de gestos que fazemos todos os dias nunca são levados em conta como parte da economia. Por quê?



Reflita por um instante sobre o incomensurável absurdo de uma frase como: "Neste país, as pessoas vivem com menos de um dólar por dia". Conheço vilarejos inteiros de 200 ou 300 habitantes que, todos juntos, não possuem mais do que 100 euros. Às vezes é trágico. Mas às vezes não. Essas pessoas vivem. Vivem das suas terras, do seu "saber-fazer", do seu esforço pessoal ou mesmo das sementes que possuem. É isso que lhes faz viver, não os dólares. O sistema econômico atual criou muito mais precariedade – tanto econômica, quanto psicológica ou espiritual – do que suprimiu. Para sair desse sistema, é preciso que a sociedade civil ponha em ação uma economia relocalizada, uma microeconomia que mobilize o máximo de pessoas de um determinado território.



Mas im número crescente de pessoas parece se preocupar com o ambiente, começa a comer produtos orgânicos... Isso deveria tranquilizá-lo.



De fato, é sempre uma alegria saber que muitos dos nossos concidadãos optam por comer de forma diferente, embora isso continue sendo anedótico com relação ao que está em jogo. No entanto, é preciso continuar. Além disso, se lançamos a campanha "Todos os candidatos de 2012 com o Movimento dos Colibris" (www.colibris-lemouvement.org), é justamente para trazer para exaltar e evidenciar essas iniciativas criativas que podem parecer limitadas no início. Muitas pessoas demonstram que é possível se alimentar de forma diferente, aprender de maneira diferente, educar de forma diferente... É o princípio do fermento. Quando fazemos pão, colocamos uma pequeníssima quantidade de fermento, mas ele se desenvolve de forma extraordinária. Acredito profundamente que essas iniciativas podem desempenhar um papel na mudança das nossas sociedades.



Uma vida



1938 – Nascimento de Pierre Rabhi em um oásis do sudeste argelino. Aos cinco anos de idade, foi confiado a um casal de europeus.

1960 – Sai de Paris para se estabelecer em uma fazenda em Ardèche. Forma-se em agricultura e se opõe à lógica produtivista.

1972 – Descobre a agroecologia, ou seja, como associar produção agrícola, proteção e regeneração ambientais. Ele aplica esse saber adquirido em sua fazenda e o transmite desde o fim dos anos 1970 em todo o mundo.

Livros



Du Sahara aux Cévennes: itinéraire d'un homme au service de la Terre-Mère (autobiografia), Albin Michel, 2002

Graines de possibile, regards croisés sur l'écologie, con Nicolas Hulot, Calmann-Lévy, 2005

Conscience et environnement, éditions du Relié, 2006

Manifeste pour la Terre et l'Humanisme. Pour une insurrection des consciences, Actes Sud, 2008

Éloge du génie créateur de la société civile, Actes Sud, 2011

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Plantei milho e abobora.
O milho era uma variedade especifica para comer espigas chamada Super Doce Tipo Hawai
A abobora era italiana. Aquela comprida que não gosto. Ou melhor, tem gosto sutil para paladares atentos.
O terreno estava seco. O vento e o sol secam a terra.
No canteiro ao lado, ruculas e rabanetes começavam a crescer. Tão tenras, tão pequenas, tão frageis.
Busquei agua num regador azul e molhei as pequenas plantas.
Aquela papoula diferente floriu hoje. Ela sempre dá uma surpresa feliz em quem observa.
Estou tentando fazer diferente. Estou tentando deixar a mente mais quieta, estou de olho nos pensamentos sofredores. Estou tentando mesmo deixar a mente atenta enquanto movo os dedos.
Tenho pena de arrancar algumas plantas. Hoje, arranquei algumas chicórias que se esticavam rumo ao ceu. Elas querem florescer e eu preciso de espaço para plantar. Deixei algumas para completarem seu ciclo, florescerem e frutificarem e espalharem sementes para nascer novamente ano que vem, no outono.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

há um encanto nos jardins abandonados onde crescem as ervas que a natureza plantou.
é preciso aprender a apreciar o caos para encontrar a beleza entre plantas de serralha e guanxuma.
talvez nossa mente cartesiana prefira as linhas retas do piso. parece que ali não há tanto estranhamento e desconforto.
mas há desobediência entre as frestas do concreto.
elas me encantam com sua resistencia e serviço.
eu gosto dos canteiros abandonados onde a inteligencia amorosa vem plantar.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Ontem, aproveitei a manhã de sol para trabalhar na horta entre rabanetes que crescem e filhotes de chicória que despontam do solo.
O amor e o respeito a este lugar, a este solo e seus inumeros seres trazem resultados beneficos.
Muitas plantas nascem por si, sem necessitarem do meu esforço.
São o alimento mais puro, aqueles que a natureza nos entrega como presentes valiosos.
Sou gratidão e admiração pelo milagre das sementes.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

catadores de mulch

Sempre fico meio estranho quando meus canteiros estão sem mulch, ou seja, sem cobertura de algum material orgânico sobre o solo. Sinto que as plantas não ficam bem e o solo vai compactando e perdendo a fertilidade. Hoje, resolvi a questão. Saimos, eu e meu colega de indiadas, Rógis em busca do mulch perdido. Descobrimos um pequeno monte de pedaços moidos de plantas (temos um triturador gigante que faz isso aqui no JB) e conseguimos um carrinho, daqueles de tração humana (eu e ele seríamos o motor). Quase infartamos puxando o troço todo, depois descobrimos que o tal carro tinha um pneu furado. Isso deixou tudo mais dificil e pesado. Além do mais, havia uma enorme caminho para subir.
Depois de tanto esforço fico feliz em colocar a"pele" de volta aos canteiros. Posso dormir em paz esta noite.

Natural Deficit Disorder

Transtorno da falta de contato com a Natureza (Nature Deficit Disorder), é um termo criado pelo escritor e jornalista norte-americano Richard Louv em seu livro de 2005, Last Child in the Woods (Tradução: A Última Criança nas Florestas). Refere-se à alegada tendência de as crianças terem cada vez menos contato com a natureza, resultando em uma ampla gama de problemas de comportamento. Esta doença não é ainda reconhecida em qualquer um dos manuais de medicina de transtornos mentais, como o CID-10 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde) ou o DSM-IV (Manual de Diagnósticos e Estatísticas de Transtornos Mentais) nem é parte da proposta de revisão deste manual




Louv alega que as causas para o fenômeno incluem o medo dos pais, acesso restrito às áreas naturais, e da atração pela TV ou computador. A pesquisa recente tem gerado um contraste maior entre a diminuição do número de visitas aos Parques Nacionais nos Estados Unidos e aumento do consumo de meios eletrônicos por crianças.



Richard Louv passou 10 anos viajando pelos EUA entrevistando e conversando com pais e filhos, tanto em áreas rurais e urbanas, sobre suas experiências na natureza. Ele argumenta que a cobertura da mídia sensacionalista e os pais paranóicos têm, literalmente, "assustado as crianças de freqüentarem áreas naturais (matas, campos...)”, enquanto promove uma litigiosa cultura do medo que favorece a prática de esportes seguros com regras ao invés de brincadeiras criativas.



Ao reconhecer essas tendências, algumas pessoas argumentam que os seres humanos têm um gosto instintivo para a natureza, a hipótese da biofilia, e adotam certas medidas para passar mais tempo ao ar livre, por exemplo, em educação ao ar livre, ou através do envio de crianças a jardins da infância (Forest Kindergarden) ou escolas (Forest Schools) na floresta, que são escolas especiais criadas nos Estados Unidos e países da Europa, onde as crianças ou estudantes brincam e aprendem do meio de uma mata preservada ou bosque utilizando os elementos que encontram na nestes ambientes.Talvez seja uma coincidência que os adeptos do movimento Slow Parenting (pais sem pressa)* enviam suas crianças para educação em ambientes naturais, ao invés de mantê-los dentro de casa, como parte de um estilo livre de educar os filhos



*O movimento Slow Parenting (pais sem pressa) defende que “menos é mais”: menos coisas, menos actividades, menos pressa, menos pressão, menos expectativas. Mais tempo para crescer fará as crianças mais felizes. É um estilo de educação dos pais em que poucas atividades são organizadas para as crianças. Em vez disso, eles são autorizados a explorar o mundo ao seu próprio ritmo. O movimento Slow Parenting tem o objetivo de permitir que as crianças sejam felizes e fiquem satisfeitas com suas próprias realizações, mesmo que isto não pode torná-las mais ricas ou mais famosas. Os pais das crianças de hoje são frequentemente encorajados a repassar o melhor possível de suas experiências de infância, para garantir a estas crianças o sucesso e felicidade na vida adulta.



A natureza não é apenas para ser encontrado em parques nacionais. O capítulo "Jardim do Eden em um terreno baldio", de Robert M. Pyle (página 305) enfatiza a possibilidade de exploração e fascínio em pequenas áreas que podem ser lotes desocupados de terrenos com vegetação nativa, e se alegra com as 30.000 lotes sem construção em Detroit, que surgem devido à decadência no centro da cidade.



Causas



• Os pais estão mantendo as crianças dentro de casa, a fim de mantê-los a salvo de perigo. Richard Louv acredita que podemos estar protegendo exageradamente as crianças de tal forma que se tornou um problema e prejudica a capacidade da criança de manter contato com a natureza. O crescente temor dos pais de "perigo desconhecido", que é fortemente alimentada pelos meios de comunicação mantém as crianças dentro de casa e no computador ao invés de explorar ao ar livre. Louv acredita que esta pode ser a causa principal de transtorno da falta de contato com a natureza, uma vez que os pais têm um forte controle e influência sobre a vida de seus filhos.



• Perda de paisagem natural no bairro ou cidade de uma criança. Muitos parques e reservas naturais têm acesso restrito e placas de advertência "não ande fora da trilha". Ambientalistas e educadores ainda adicionam a restrição ao dizerem às crianças "olhe, mas não toque". Enquanto eles estão protegendo o ambiente natural, Louv questiona o custo dessa proteção na relação as nossas crianças com a natureza



• Aumento de atrativos para passar mais tempo dentro de casa. Com o advento do computador, videogames e televisão as crianças têm mais e mais motivos para ficar dentro de casa, "A criança norte-americana gasta em média gasta 44 horas por semana com mídias eletrônicas"



Efeitos



• As crianças têm limitado respeito ao ambiente natural mais próximo. Louv diz que os efeitos do transtorno da falta de contato com a natureza para os nossos filhos será um problema ainda maior no futuro. "Um ritmo crescente nas últimas três décadas, aproximadamente, de uma rápida perda de contado das crianças com a natureza tem profundas implicações, não só para a saúde das gerações futuras, mas para a saúde da própria Terra." Os efeitos transtorno da falta de contato com a natureza poderia levar a primeira geração em risco de ter uma expectativa de vida menor do que seus pais.



• Podem se desenvolver transtornos da atenção e depressão. "É um problema porque as crianças que não tiveram um contato com a natureza parecem mais propensas à depressão, ansiedade e problemas da falta de atenção". Louv sugere que ter atividade ao ar livre em contato com a natureza e ficar na calma e tranquilidade pode ajudar muito. De acordo com um estudo da Universidade de Illinois, a interação com a natureza tem provado reduzir os sintomas dos transtornos da atenção e depressão em crianças. Segundo a pesquisa, "No geral, nossos resultados indicam que a exposição a ambientes naturais nas atividades comuns após as aulas ou finais de semana pode ser muito eficaz na redução dos sintomas de déficit de atenção em crianças." A teoria da restauração da atenção desenvolve esta idéia , tanto na recuperação a curto prazo de suas habilidades, como na de longo prazo para lidar com o stress e adversidades.



• Seguindo o desenvolvimento dos transtornos da atenção e depressão e transtornos de humor, notas mais baixas na escola também parecem estar relacionados com o transtorno da falta de contato com a natureza. Louv afirma que estudos realizados na Califórnia e na maior parte dos Estados Unidos mostram que os estudantes das escolas que utilizam as salas de aula ao ar livre e outras formas de educação utilizando experiências com a natureza apresentaram significativamente melhor desempenho em estudos sociais, ciências, artes, linguagem e matemática. Fonte: Artigo Orion Magazine March/April 2007



• A obesidade infantil tem se tornado um problema crescente. Cerca de 9 milhões de crianças (6-11 anos) estão com sobrepeso ou obesos. O Instituto de Medicina afirma que nos últimos 30 anos, a obesidade infantil mais do que duplicou para os adolescentes e mais do que triplicou para crianças de 6-11 anos. Fonte: National Environmental Education Foundation



• Em uma entrevista publicada na revista Public School Insight, Louv citou alguns efeitos positivos do tratamento de transtorno da falta de contato com a natureza: “Tudo a partir de um efeito positivo sobre a atenção estendendo para redução do stress a criatividade, o desenvolvimento cognitivo e seu sentimento de admiração e de conexão com a Terra. "



A ONG No Child Left Inside Coalition (Coalizão “Não deixe as crianças dentro de casa") trabalha para levar as crianças para atividades ao ar livre e de aprendizagem ativa. A ONG espera resolver o problema do transtorno da falta de contato com a natureza. Eles agora estão trabalhando para aprovar uma lei nos Estados Unidos que aumentaria a educação ambiental nas escolas. A ONG defende que o problema de transtorno da falta de contato com a natureza poderiam ser amenizado por "despertando o interesse do estudante para atividades ao ar livre" e estimulando-os a explorar o mundo natural por conta própria.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Rucula

Hoje plantei ruculas. São plantas fáceis de cultivar e crescem muito rápido. Mas nem todos gostam dela, é aquele caso de amor ou ódio, devido ao sabor forte e picante.
Sempre tenho sementes dela. Quando consigo uma boa colheita aproveito para fazer a tradicional pizza com tomate seco. A rúcula tem conseguido bastante prestígio devido a esta combinação.
De qualquer forma é uma das minhas saladas favoritas.

Acredita em plantio influenciado pela fase da lua? Eu nunca dei muita importância mas começo a mudar de opinião. As ultimas ruculas que cultivei nasceram de modo desuniforme e fracas. Não tenho explicação para este fato, a não ser a lua. Como não lembro em que fase da lua plantei  não poderei ter certeza. De qualquer modo fiz outra tentativa hoje e estamos na lua crescente. Agora é observar e ver como será...

Pesquisando um pouco sobre as rúculas descobri que elas tiveram fama de afrodisiacas no passado. Até foram proibidas nos mosteiros europeus. Ela tem origem européia e asiática e constava do cardápio de gregos e romanos. Em inglês é chamada de rocket. Fiquei pensando que deve ter recebido este nome devido a sua velocidade de crescimento.

Para plantar é fácil. Escolha um local ensolarado, solo com bastante matéria orgânica e faça sulcos com espaçamento de 15-20 cm e 0,5 cm de profundidade. Coloque as sementes. Cuidado, são pequenas e podem ficar amontoadas. Tente colocá-las de maneira uniforme. De qualquer maneira algumas crescerão amontoadas e vão necessitar de raleio. A vantagem é que podemos comer as pequenas mudas em excesso. Eu costumo ralear várias vezes, aumentando o  espaçamento entre as plantas até que fiquem com espaçamento de 5 cm nas fileiras. Mas nada muito preciso, não vá usar régua para isso nem criar algum tipo de paranóia milimétrica.

Não descuide da irrigação. Elas não gostam de solo seco. Use o bom senso, nada de excesso também, afinal rúcula não é planta aquática.

Podem ser cultivadas em vasos e floreiras que tenham pelo menos 20 cm de altura.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

flores do outono

Tithonia speciosa (Hook.)Hook ex Griseb.  Girassol Mexicano

O Girassol Mexicano, como diz o nome, é uma planta originária do México e que produz estas incríveis flores laranja. Atrai muitas borboletas alaranjadas também. Comprei um pacote de sementes da Isla e semeei em final de janeiro, antes de sair em férias. Ela cresce rápido, em dois meses já está mais alta que eu e repleta de flores Gosta de locais ensolarados mas não tolera as geadas. Diz a lenda que só se planta uma vez, depois ela nasce sozinha e até pode ficar fora de controle, meio invasora (nome feio para uma planta tão bonita).



A outra, que também está em floração é o Cosmos. Lembra os jardins da vovó, aqueles cheios de flores msituradas. Também é mexicana mas muito comum no Brasil. Produz muitas sementes, que nascem fácil e que também podem roubar a festa, ou seja, espalharem-se descontroladamente. As sementes vieram do CEBB- Viamão (Centro de Estudos Budistas Bodisatva) e tem uma história interessante. Foram presentes do Peter Webb, permacultor experiente, que nos ajudou a transformar uma estrada abandonada numa floresta com muitas árvores e flores crescendo. Ele nos instruiu a colocar um pouco destas sementes junto as mudas de árvores que estávamos plantando para "Atrair movimento e estimular a vida", naquele terreno tão árido. E funcionou muito bem, as plantas cresceram, trouxeram suas flores amarelas e atrairam muito movimento de abelhas, borboletas e outros polinizadores.

Em breve vou começar a colheita de sementes das duas espécies para cultivar e trocar com os amigos.

Bidens sulphurea (Cav.) Sch.Bip. Cosmos

sábado, 12 de fevereiro de 2011

meses sem TV


fonte:www.culturamix.com

Desde criança eu era viciado em TV. Até meu pescoço tem a curvatura de quem passou horas na frente da hipnotizante tela, recostado em almofadas no sofá da sala. E assim fui crescendo, acompanhando a programação televisiva se deteriorando. Talvez seja nostalgia mas achava que antes  a TV era bem melhor( pelo menos os desenhos animados eram bem melhores).
Minha esposa notava que eu chegava em casa e automaticamente ligava a televisão. Às vezes deixava ligada só pelo falatório dentro de casa. Minha  casa anterior tinha antena parabólica então eu assistia  a Cultura, TV Escola e Futura. Gostava porque era onde encontrava  programas legais para minha filha e não tinham publicidade infantil, muito perigosa para crianças.
Depois  mudei de casa e, apertado de grana, improvisei uma anteninha interna. Pegou super mal, com muito chuvisqueiro e tendo que mexer na antena, regulando tudo a cada novo canal. E mesmo assim, imagem ruim. Pior, imagem boa só da Globo...
Dai pensei "deixa assim, quando melhorar as condições financeiras boto uma TV por assinatura".
Fui me aborrecendo com a TV, cada vez ligava menos. E agora nem ligo mais.
E descobri mil prazeres, alguns novos, outros esquecidos. Olhar para o céu, conversar com as pessoas, sair para caminhadas noturnas, folhear revistas, caprichar na janta, ouvir música...
Também fiquei livre de um bocado de negatividade. Nada de refeições com o Jornal Nacional ao fundo, descrevendo tragédias e colocando medo como tempero da comida. Sons de grilo lá fora, vento nas árvores, o cachorro do vizinho latindo, os sons reais que eu não percebia. Noites de sono mais tranquilas e a percepção de que o mundo não é o que passa pela TV. Aquilo é só uma versão de mal gosto de um mundo  muito bonito.
Agradeço  a minha anteninha que não funciona. Graças a ela, minhas horas em casa ganharam qualidade e diversidade de experiências. Por enquanto nem penso mais na TV por assinatura. Encontrei boas coisas para curtir e sem ter que pagar mensalidade.
Experimente você também.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Uma semana sem sacolas plásticas

sacolas-plasticas.jpg
Esta semana decidi não levar sacolas plásticas para casa. Apesar de estar consciente do impacto que as tais sacolinhas causam no meio ambiente o que mais me motivou foi encontrar o blog De Verde Casa da espertissima Juliana Valentini. Tão esperta que foi ela que inventou aquele origami de jornal para substituir a sacolinha no cesto de papel higiênico, que acabou rodando pela web afora.
Dai vendo os exemplos da Juliana acabei criando vergonha na cara e partindo para a ação. Catei duas sacolas de pano e deixei estrategicamente em cima do banco do carro, para não esquecer. Fui ao super temendo que eles quisessem empacotar minhas sacolas no guarda-volumes. Mas foi tranquilo, joguei as sacolas no carrinho e fui as compras. Na hora de passar pelo caixa a moça automaticamente pegou as plásticas e eu entreguei as de pano. Beleza!
E fui olhando para os lados, percebendo a quantidade absurda de sacolas que as pessoas iam carregando. Não encontrei um parceiro de sacola de pano.
No segundo dia, esqueci as sacolas. Mas no Bourbon da Ipiranga eles deixam umas caixas de papelão para quem quer optar pelo reaproveitamento das embalagens. Foi o que fiz. E ainda aproveitei a caixa para colocar lixo seco em casa.
Fui percebendo meu habito pela sacolinha em vários momentos e fazendo a desprogramação do meu cérebro. Colhi umas pimentas para levar para o dono do restaurante onde almoço (ele faz um molho ótimo). Quando vi estava procurando uma sacola para o transporte. Cai na real e coloquei tudo na de pano. Ele ficou feliz com o presente, porém me devolveu a sacola, cuidadosamente dobrada dentro de um saquinho de plástico transparente. Fiquei meio sem jeito e,sem saber o que fazer, aceitei assim mesmo, pensando em maneiras de reaproveitar aquela embalagem. Vou usar para guardar alguma coisa na geladeira, sei lá.
Ontem preparei um substrato para minha mãe plantar violetas. Tudo pronto e minha mente ansiava por uma sacola novamente. Num acesso de lucidez e insistência coloquei tudo numa bacia dentro do carro. Certo.
Hojé é quinta-feira. Nenhuma sacola nova em casa até o momento.
O melhor de tudo é que muda o olhar e percebo meus automatismos com as abundantes e disponíveis sacolas. E noto claramente os lixos desnecessários que vamos produzindo sem pensar. Está servindo para perceber e trabalhar estas marcas mentais e todos este Karmas.
Afinal, cuidar do planeta é uma constante prática de mente atenta.
Que todos possam se beneficiar e que as sacolas de pano sejam vitoriosas.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

a colheita dos tomates


Comecei a colher os tomates cerejas, com suas cores vibrantes e sabor adocicado.
Estão bem produtivos, cuidei deles com dedicação. Pena foi o ataque de uns percevejos chupões que mataram alguns pés. Mesmo assim, vai dar para uma salada saudável e, melhor, sem venenos.
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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

trabalho do dia

voltei da horta, dos trabalhos diários.


gentilmente cobri o solo com palha, entre pequenos feijões.

olhei atentamente os tomates, pude sorrir para eles,

briguei com um percevejo que os sugava.

irriguei as sementes que enterrei, girassol mexicano, zinias e feijões de vagem.

e, por instantes, acompanhei o voar das borboletas.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Girassol


Depois das férias encontrei este presente no canteiro. Aquela pequena semente que enterrei trouxe esta flor.
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Zinias

As zinias são flores coloridas e que atraem muitas borboletas. Trazem alegria e movimento para a horta. São fáceis de cultivar e pouco exigente. Podem ser semeadas direto no canteiro, na primavera e verão. Depois da floração, pode-se coletar as sementes para o próximo ano.



quinta-feira, 25 de novembro de 2010

plantio do dia

E, finalmente, veio a chuva. Chove agora uma chuva de despedida. As nuvens estão se derretendo em gotas.
Em breve, o sol e o calor voltam. Para a horta funcionar precisamos de harmonia, de proporção certa entre luz, sol, chuva, vento...
Esta semana estive na horta e fiquei desanimado, tudo tão seco, chegava a levantar poeira.
Agora tudo mudou, as plantas tem uma cor de alegria e gratidão pela água.

Aproveitei a terra umida e transplantei as mudas de tomate cerejão. Plantei girassol, cosmos e zinia. Coloquei pimentas em espaços vagos. Tudo no meu modo aleatório de plantio.

Algumas sementes da Muvuca começaram a germinar. Como o esperado, as rúculas deram a partida antes.

Agora a chuva deu uma trégua e vou lá recolher as ferramentas e colocar na terra algumas sementes de amendoim.